domingo, 24 de novembro de 2013

Segurança Pública em Pauta

Geralmente, os veículos de comunicação, ao tratarem de segurança pública, exaltam temas como fugas, rebeliões e corrupção, deixando de lado questões relevantes a seres discutidas; a exemplo: as dificuldades estruturais do sistema.

Infelizmente, uma boa parte da sociedade ainda nutre o pensamento que “bandido bom é bandido morto” ou que “todo castigo é pouco". Porém, as condições sub-humanas das cadeias e delegacias que abrigam infratores podem ter efeito contrário ao pretendido. Ao invés de recuperarem o cidadão para então devolvê-lo às ruas, geram rancor por todo sofrimento, por exemplo, por ele ficar em uma cela que mais se assemelha a uma jaula, sob sol ou sob chuva, pela falta de higiene ou ainda pela superlotação das celas, sendo assim, altos índices de reincidência são registrados.


Não é uma questão de os presos sentirem-se em um hotel, com mordomias, mas é uma questão de dignidade. Se realmente espera-se que haja alguma transformação no indivíduo encarcerado, são necessárias ações que permitam a ele reconstruir sua vida, tal como a oferta de educação que, a propósito, é ordenada por lei; possibilidade de profissionalização e uma posterior inserção desse infrator no mercado de trabalho, o qual muitas vezes é preconceituoso.

A população também sofre cotidianamente com o sistema de segurança pública do país, devido ao número insuficiente de policiais e delegados, à preguiça de alguns funcionários públicos que não executam suas funções como deveriam, à lentidão do sistema judiciário. Por esses motivos e outros tantos, mães que perderam seus filhos também perdem a esperança na justiça, cidadãos demoram horas para fazer simples boletins de ocorrência, enquanto ficamos de braços cruzados esperando que a toda situação mude sozinha.

Todo cidadão deve ter seus direitos preservados, seja pobre, rico, infrator ou não. E se não tiver, deve reclamar, recorrendo aos órgãos competentes até ser atendido. Apenas com um sistema corretivo baseado na dignidade e uma segurança pública que trate seus cidadãos de forma igualitária e respeitosa, seremos capazes de avançar.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Mais 48 horas, por favor?

Apesar de eu deixar claro que um dos princípios do meu blog é a liberdade, para falar sobre qualquer tema em qualquer estilo, a ideia inicial era postar conteúdos mais jornalísticos: um espaço para publicar matérias e artigos opinativos sobre o que eu tivesse vontade.  Mas o post de hoje é diferente, é um quase-desabafo, porque às vezes me pego tendo reflexões da vida e escrever me alivia, me deixa alegre, me liberta. Enfim, se até o Sakamoto o fez, que mal tem, né?!

Atualmente, as pessoas vivem numa correria sem fim. É um legado da Revolução Industrial. Desde crianças, têm mil atividades: aulas de idiomas, aulas escolares, mil atividades físicas e quando crescem ainda têm que lidar com emprego, compromissos sociais, frustrações, cobranças, pressões e tudo mais que vem no pacote vida adulta. É verdade meu bem, porque com a liberdade vem também a responsabilidade, já dizia o tio do homem aranha (ou quase isso).


Isso tudo porque a prioridade da geração Y é a carreira e, ao contrário de seus pais, eles não buscam apenas estabilidade e um "bom emprego", mas sim uma profissão que dê prazer, além de um bom salário. E não para por aí: querem ser especiais e se destacar de alguma forma, sendo assim, fazem mil coisas para se diferenciarem, ficando sufocados. (Mas não vou aprofundar nesse assunto por ser uma questão extremamente delicada, se você quiser ler mais sobre isso clique aqui). Essas pessoas têm metas altíssimas e se não bastasse satisfazer tudo o que a sociedade espera, elas ainda são rigorosíssimas consigo mesmas, tendo que atender aos próprios objetivos para sentirem-se realizadas.


A sociedade moderna acaba moldando seus integrantes a um ritmo frenético com os inúmeros compromissos e funções que cada um tem que assumir diariamente. Somado a isso, ainda há diversas causas de stress cotidianas, como engarrafamentos, poluição, falta de gentileza e empatia. Todos esses fatores reduzem a qualidade de vida e colaboram para o desenvolvimento de diversas doenças contemporâneas.


A questão é que toda jornada tem ambições a serem conquistadas, caso contrário, qual sentido teria viver?No entanto, vivemos contra o relógio, preocupados em não envelhecer, em fazer mil atividades, em transformar 24 horas em 72 e, assim, não vemos o tempo passar. Queremos dar conta de todos os amigos, de todos os filmes no cinema, todos os livros, das notícias do mundo, dos conteúdos disciplinares, da academia, da religião, mas por mais que você se esforce, alguma coisa sempre fica de lado. Então, quando abrimos os olhos, já há milhares de pisca-piscas espalhados pela cidade, diversos caras fazendo bico de bom velhinho, até um dia em que, no espelho, o reflexo terá rugas e fios brancos e, como já dizia a Cris, você vai parar para pensar: e aí, valeu à pena?

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Filhos da Simplicidade


Durante entrevista realizada no show de Juiz de Fora (MG), que ocorreu em 19/10/2013, o grupo Revelação fala sobre samba, preconceito musical e ainda confessa que música "mulher traída" é inspirada em fatos reais.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Conscientização e Prevenção do Câncer de Mama

Você com certeza já ouviu falar do Outubro Rosa. Mas alguém já parou para te explicar o que é isso?  Este é um movimento comemorado em todo mundo e o nome remete ao laço rosa, símbolo do câncer de mama. O objetivo é chamar a atenção das pessoas para o conhecimento da doença, realização de exames preventivos e um diagnóstico precoce. Em Juiz de Fora, a Ascomcer promove diversos eventos para conscientizar a população. No dia 06/10, ocorreu a Corrida Solidária na UFJF.

Ainda sobre a programação, a Ascomcer realiza, em parceria com a Natura, no dia 18, uma oficina de valorização de imagem e autoestima com as pacientes; no dia 22, no Teatro Clara Nunes, o Primeiro Simpósio de Oncologia do Outubro Rosa, aberta ao público, com palestras e mesas-redondas ministradas por profissionais da área de saúde (inscrições pelo e-mail comunicacao@ascomcer.org.br); no dia 31, uma passeata de encerramento, no Parque Halfeld.

O câncer de mama é o mais incidente no Brasil e o que mais mata no mundo. Em nosso país, já são mais de 50.000 casos. Segundo o mastologista Bruno Laporte, as principais causas da descoberta em etapas avançadas são a falta de acesso ao sistema de saúde, o medo da mamografia, a qual deve ser realizada pelas mulheres a partir dos 40 anos, e o medo da revelação da doença. O médico alerta para a importância da prevenção, ressaltando que se o tumor for descoberto com até um centímetro, as chances de cura são de 95%.


O apoio da família torna-se fundamental durante o tratamento de um câncer, como conta Adriana Aparecida de Almeida (48): "A minha família foi 200%". Ela descobriu a doença durante um autoexame em abril de 2009. Os exames confirmaram e Adriana passou por sessões de quimioterapia e radioterapia, além da cirurgia de retirada de quadrante do seio. Entretanto, para dar o suporte a quem está doente é preciso não estar fragilizado, por isso, a Ascomcer tem um grupo de apoio a familiares de pacientes da instituição, no qual uma psicóloga reune-se com os acompanhantes às quartas-feiras para compartilhar experiências e passar bem-estar. De acordo com o Ministério da Saúde, quem tem algum parente de grau primário que teve câncer de mama deve realizar exames preventivos aos 35 anos, já a Sociedade Americana de Oncologia recomenda mamografia e ressonância a partir dos 30 anos de idade.

Os pacientes também têm um momento de integração: o Grupo Vitoriosa, no qual as mulheres em tratamento, em controle ou ex-pacientes encontram-se para atendimento psicossocial e fisioterápico. Toda mulher, mesmo que não seja vinculada ao hospital, pode participar (3311-4010) e lá também há o confeccionamento de próteses artesanais, usadas dentro do sutiã.
 
O trauma por uma mastectomia radical pode ser grande, por isso o Governo Federal sancionou uma lei que obriga a reconstrução mamária no mesmo tempo cirúrgico, no sistema público de saúde. Apesar disso, Laporte afirma que muitas mulheres ainda têm dificuldade no acesso a esse direito, já que muitos hospitais não têm estrutura, mas em Juiz de Fora, o Hospital Universitário conta com uma equipe plástica, a qual oferece a intervenção.

Quem pensa que câncer de mama é doença só de mulher está enganado! Homens também são vítimas e podem detectá-la através de feridas na pele da mama ou mamilos, secreção ou nódulos. Segundo o RHC (Registro Hospitalar de Câncer) da Ascomcer, em 2010, foram 230 casos de mulheres com câncer de mama e um homem. Já em 2011, foram 195 casos de mulheres para três casos de homens.

Durante esse mês, a Ascomcer e o Hospital Universitário da UFJF estão agendando mamografias por telefone. Inclusive, o HU/UFJF ainda oferece um centro de reabilitação / reestruturação da doença chamado “De peito aberto”. Atualmente, existem diversos tratamentos modernos, por isso é importante a conscientização da população e a extinção do medo a respeito do câncer de mama.

Matéria originalmente publicada no portal Zine Cultural .

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O machismo nosso de cada dia

Mais um dia raiou. Ela levanta da cama, toma seu banho e escolhe a roupa com que vai trabalhar. No final de sua jornada, passa em uma loja para comprar um vestido que estava querendo, negocia o preço e convence o vendedor que o valor realmente estava alto. Caminha até seu carro e dirige até em casa.

Uma rotina normal, se não fossem os detalhes. A sociedade imprime ao dia-a-dia de inúmeras mulheres sinais de machismo, preconceito e atitudes inconcebíveis visto que estamos no século XXI. Ao escolher sua roupa, ela deve pensar com qual modelo ela irá sofrer menos assédio sexual; ao negociar por um preço justo, recebe um “elogio” do velho dono da loja: “vai deixar seu marido mais rico ainda, hein!”; quando caminha ouve diversos comentários sobre o quão está gostosa; no trabalho, um colega ou superior a intimida falando de sua beleza; enquanto dirige, ou mesmo quando dá caronas a amigos, tem que aguentar piadinhas “inocentes” sobre mulheres ao volante.

Parece exagero? Mas lá vão os dados: a pesquisa Chega de Fiu-Fiu mostra que 99,6% das entrevistadas já sofreram alguma forma de assédio e que pelo menos 81% já deixaram de fazer alguma coisa por medo de serem assediadas. Além disso, de acordo com uma pesquisa da revista Marie Claire e da organização Everywoman, ambas do Reino Unido, 46% das entrevistadas já sofreram sexismo (preconceito contra o sexo feminino) no escritório e 44% disseram que colegas homens já fizeram comentários inapropriados sobre sua aparência.

Karolina Basdão comenta como tal atitude faz com que as mulheres sintam-se como objetos: “Fico me sentindo como se fosse só um pedaço de carne, como se não tivesse conteúdo nenhum”. A jornalista Ana Pitta concorda explicando que ao assumir com naturalidade tais cantadas, reafirmamos que é normal a mulher ser vista como um corpo e nada mais, além disso explica o que incomoda nessa ação: "As cantadas de rua, as frases que a gente ouve quando sai com uma roupa curta, os olhares que recebemos quando estamos com um decote não são elogios, como algumas pessoas ainda insistem em defender, mas sim, algo que só reafirma uma visão que vem sido construída há muito tempo, de que a mulher foi feita pra ser vista, admirada, cobiçada, e isso em qualquer lugar, a qualquer hora, por qualquer homem que se sinta no direito de falar de seu corpo e do que faria com ela na cama".
Marcha das Vadias em Belo Horizonte (MG). Foto: Mídia NINJA
Hoje, as mulheres têm o direito de votar, estudar, trabalhar. Também precisam ter o direito de andar na rua tranquilamente, sem preocupações, sem temor. O corpo é só uma casca. Todos são iguais em direitos e liberdade. Essa é uma luta por direitos humanos!

sábado, 14 de setembro de 2013

Notas dissonantes: o ensino da música em Juiz de Fora

A Faculdade de Música da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) é sediada no mesmo prédio do curso de Artes. Os corredores são cheios, pessoas sentadas no chão e outras fotografando: alunos do segundo curso. Quando questionados sobre onde estariam professores e alunos de música, eles sugerem que a pergunta seja repassada à secretaria, lugar que deveria possuir informações. Ao chegar ao segundo andar, a secretária, com cara de riso, responde: “Ah! Muito difícil você encontrar coordenadores ou professores por aqui.” Engraçado, não? Difícil encontrar quem esteja ligado ao bacharelado em música justamente na própria faculdade. As aulas de instrumentos são individuais e agendadas em horários específicos, mesmo assim, várias salas supostamente em aula, encontram-se silenciosas.

A faculdade de música da UFJF existe há quatro anos e, por ser um bacharelado, tem por objetivo formar instrumentalistas, embora Juiz de Fora não tenha mercado para absorver esse tipo de profissional, tendo como exemplo a Orquestra do Pró-Música, que oferece apenas ajuda de custo, como o transporte das apresentações, aos seus músicos, os quais não recebem salário. O professor de teoria da música Alexandre Feneriche critica que, apesar de a cidade oferecer fomento ao setor, com a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (n.º 8525/94), não há mercado para a música erudita. Justamente para o qual são preparados os alunos, visto que são oferecidos cursos relacionados ao canto, flauta, piano, violão, violino e violoncelo.


A relação candidato-vaga da graduação chega a ser cômica. Há meio aluno por vaga. É certo que isto não passa de estatística, mas é um número que representa a baixa procura por essa formação superior ou, pelo menos, o baixo número de pessoas que conseguem chegar à segunda fase. O aluno Robert Anthony justifica esse dado relatando a descrença de famílias na música como profissão: “os pais argumentam que os filhos precisam primeiro de um emprego que garanta independência financeira. Há então um desencorajamento prematuro”. Já o coordenador do curso, Rodolfo Valverde, afirma que a graduação busca aperfeiçoar quem já tem uma formação prévia, portanto os alunos despreparados são barrados na prova de habilidade específica, o que resulta em tal relação candidato/vaga. Mesmo assim, Feneriche relata que os alunos chegam ao curso com experiências muito diferentes, para isso são necessárias disciplinas como percepção musical, que permitem nivelar as turmas.

O professor ainda defende o ponto de vista que a “faculdade de música não é m lugar de formação de músicos”, isto porque o ensino não é voltado para a prática, mas sim mais direcionada para formação de teóricos e compositores. Concordando que é necessário que o aluno já tenha desenvolvido habilidades musicais antes de ingressar na faculdade, Anthony acredita na importância da formação teórica: “em uma faculdade de música, o aluno aprende muito mais do que só tocar seu instrumento com excelência, aulas de filosofia, estética, história, composição, análise, são algumas das habilidades que serão desenvolvidas.”. Valverde reafirma a relevância de conhecimentos teóricos, afirmando que isso permite um diferencial para o aluno já que o universo musical é extremamente amplo.

A Faculdade de Música da UFJF organiza-se para oferecer a Licenciatura em Música, em razão da crescente demanda por educadores, dada a obrigatoriedade de aulas de música nas escolas. 


Enquanto isso, em um reino muito distante daqui...

A Universidade de Música Popular Bituca, em Barbacena (MG), é uma escola livre, de caráter profissionalizante, mas que não é reconhecida pelo MEC. As aulas são semanais, incluindo prática e formação complementar, e são ministradas por professores que ainda estão no mercado de trabalho. A duração é de dois anos e, para ingressar, é necessária uma prova específica. “No meu caso, o professor falou que eu estava livre pra tocar qualquer música e pediu permissão pra me acompanhar”, conta o baixista da banda Eta!Noise Douglas Poerner. Ele ainda expõe as vantagens de cursar essa faculdade, a qual é bem famosa no meio artístico: “O diferencial com certeza é a proximidade com grandes artistas da música popular e do teatro nacional, como o grupo ponto de partida e o Milton Nascimento”.
Douglas Poerner. Foto: arquivo pessoal
O saxofonista e flautista Carlos Filho atua como professor no Instituto de formação musical Bras-Music, no estado do Rio de Janeiro. Não possuindo ensino superior na área, ele acredita que a formação não é necessária para músicos que desejam atuar efetivamente “tocando”, já que os cursos oferecem priorizam a área erudita: “Quem pretende tocar jazz ou trabalhar como popular, o melhor é ter um bom professor particular”.

Filho ainda explica o método de ensino que utiliza: a teoria de aplicação. Ou seja, o aluno tem contato com a teoria e imediatamente coloca-a em prática, de modo a facilitar a fixação. O saxofonista contrapõe as vantagens e desvantagens da profissão. Para ele, a falta de um plano de carreira e de reconhecimento são os contras, entretanto a possibilidade de ser bem-sucedido, ter um alto salário fazendo o que gosta, com horário próprio, superam os pontos negativos, fazendo valer a pena continuar sonhando com um futuro grandioso.

Carlos Filho. Foto: arquivo pessoal

Entre o Som e o Silêncio 

O ensino da música em âmbitos não profissionais 

Silêncio. Ironicamente, essa suposta ausência de som, é a única melodia possível de ser ouvida nas amplas dependências do Conservatório Estadual de Música Haidée França. Não era para menos, afinal, é véspera das férias entre semestres. Uma ou duas crianças correm pelos corredores quebrando a monotonia, mas, provavelmente, nada comparado com os dias letivos.

Segundo a vice-diretora Ione Rodrigues Toledo, em turmas onde a faixa etária é mais baixa, tem de haver maior rigidez, de acordo com o desenvolvimento e o comportamento natural de cada idade. Quanto à reação dos pequenos em meio ao mundo ilimitado da música, Ione diz: “É uma descoberta maravilhosa, eles ficam deslumbrados!” 

Ao entrarem no primeiro ano, os alunos têm como aprendizagem obrigatória o estudo da flauta, por ser um instrumento básico e acessível. De acordo com o avanço na musicalização, podem escolher outro instrumento dentre os muitos disponibilizados pelo conservatório, como piano, violão, violino. O processo seletivo para iniciar os estudos no primeiro ano, de acordo com Ione, não requer conhecimento prévio da teoria musical, o que difere do curso técnico, no qual a bagagem teórica é imprescindível para enfrentar a prova de seleção.

O conservatório apresenta um enorme número de vagas ociosas, explicado pela falta de conhecimento teórico aplicado e pela carga horária pesada, 300 horas ao ano, o que dificulta o dia-dia dos alunos em idade adulta. A vice-diretora diz que, ainda que exista esta lacuna no curso técnico, o nível fundamental responde pela grande maioria dos alunos. Só em 2013, entraram aproximadamente 1200 crianças e adolescentes. Explica também que, segundo as orientações de Gilbert Lemos, Coordenador de Conservatórios de Minas Gerais, os alunos mais velhos poderão acelerar seus estudos de acordo com a evolução percebida pelos professores. Esta medida visa enxertar os espaços vazios que existem em séries superiores. 

Sobre as principais dificuldades enfrentadas, Ione explica que a situação financeira é estável e que o maior problema é o material humano. “Nos dias atuais as dificuldades são efeitos claros da burocracia, no que diz respeito à contratação de pessoal e ao alto número de licenças, sejam elas justas ou não.”

Apesar das dificuldades, o Conservatório Estadual de Música Haidée França, segue com seus projetos tentando multiplicar o conhecimento musical e agregar valor à vida cultural da cidade de Juiz Fora. Enquanto isso, o Pró-Música desenvolve o projeto “Ação Social”, o qual concede 320 bolsas de estudo e disponibiliza um instrumento para que o aluno possa estudar em casa. Todos eles têm acompanhamento individual e trabalham em grupos disponíveis para exercitar o aprendizado.

O ensino da música em Juiz de Fora ainda tem muito a melhorar, a faculdade não se enquadra à situação do mercado da cidade, e os cursos de música oferecidos por instituições como Pró-Música e Haidée França ainda são pouco procurados, devido à baixa divulgação. Para chegar ao ensino superior, é necessário dedicar-se desde criança a cursos de aperfeiçoamento, para depois mudar-se para uma metrópole. Como em outros setores da sociedade, Juiz de Fora sofre, mais uma vez, com a fuga dos cérebros.

Por: Letycia Cardoso e Thiago da Silva Camilo

Matéria originalmente publicada na Revista Foco em agosto/2013.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Mídias sociais: o diário na atualidade

Se no tempo de nossos avós o dia-a-dia e as confissões eram guardadas em um diário, muitas vezes trancado a cadeado, hoje são publicadas nas redes sociais. Os internautas compartilham em seus perfis músicas, imagens e textos com os quais têm afinidade; além de informações de suas vidas pessoais e profissionais: sucessos ou fracassos, como estão se sentindo, fotos de onde estiveram ou do que comeram.

As mídias sociais possibilitam falar para todo mundo, sem falar para ninguém. É como se quisessem desabafar, mas sem ouvir conselhos. Essa intenção é justificada pelo fato de as pessoas utilizarem as redes sociais para compartilhar conteúdos publicamente, mas exigirem privacidade. É o caso de adolescentes que, cada vez mais, abandonam os sites de relacionamentos mais populares para buscar outros em que os pais não estejam cadastrados. 

Essa ânsia pelo sigilo também ocorre com adultos que reclamam terem seus perfis vigiados pelas empresas para as quais trabalham. Certa vez, ouvi um palestrante comparar o Facebook a uma praça de uma cidade pequena, ambos espaços públicos, e aconselhar: não faça nada na internet que você não faria na praça. A princípio, essa analogia me causou revolta porque se é seu perfil, é seu espaço e você tem seus direitos! Entretanto, depois tudo fez sentido, já que na vida real você também tem que respeitar leis e está sujeito a julgamentos.


O fato é que ninguém cabe dentro de si, ninguém consegue guardar tudo para si próprio. Existe a necessidade de conversar, compartilhar, contar para alguém ou, até mesmo, escrever para externar. De qualquer maneira, com vigilância ou não, as gerações online encontraram o lugar para narrar seus hábitos, suas personalidades, seus gostos e suas rotinas: as mídias sociais.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Quem é o jornalista?

O jornalista é alguém que tem o dom de contar histórias. Ele deve transmitir a uma terceira pessoa, que não presenciou o fato, o que aconteceu, da maneira mais fiel possível. Além disso, é preciso prestar atenção nos fatores que precederam o acontecimento e nas suas possíveis conseqüências. 
O jornalista deve ser um detalhista, se não o é, não serve para ser jornalista
 Deve observar as entrelinhas, o contexto da notícia.


Um jornalista pode até contar uma boa história como a de uma partida de futebol, falar da história dos times envolvidos, da carreira dos jogadores e até especular sobre uma possível escalação na próxima partida, mas um excelente jornalista é aquele que mostra o mundo para seu leitor/espectador. É quem relata, nessa mesma partida de futebol, não apenas o jogo e seus pontos auge, mas também o caos no trânsito para chegar ao estádio, como o turismo na cidade do jogo cresceu, as promessas malucas de torcedores fanáticos, a história do trabalhador brasileiro que está desde cedo ao redor do estádio vendendo bandeiras e camisas e a do moço que chegou ao local do jogo às cinco horas da manhã para fazer as marcações do campo, mas que ainda tem outras funções e, por isso, só sai de lá meia noite, sem conseguir assistir ao jogo.

Há quem compare jornalistas a super-heróis porque têm por objetivo combater tudo que encontram de errado na sociedade. Porém, se essa é a premissa, podemos concluir que todo cidadão é jornalista, já que deseja o melhor para a comunidade em que vive. Aliás, o jornalista nada mais é que um cidadão


O jornalismo é uma carreira, uma escolha de vida, cuja ética é a mesma de qualquer outra profissão: do gari, do professor, do político e do policial. Isso porque a ética não é uma coisa que se aprende na faculdade de jornalismo, nem tão pouco nas redações. É algo que vem da vida. É formada quando a mãe fala para a criança devolver o brinquedo do amiguinho, porque não é dele; quando a avó ensina a não furar a fila do banheiro, mesmo que apertado; ou ainda quando o pai ensina a falar a verdade e a entregar o troco que a moça da cantina deu a mais. Quando um político desvia verba ou quando um policial escapa de uma blitz, é bem possível que tenha faltado aquele puxãozinho de orelha necessário na infância.


O jornalista é um adulto que mantém viva a criança que foi, que não se satisfaz com um NÃO, porque não, não é resposta. E assim, faz mil perguntas para descobrir o que deseja. Quando não descobre, busca fontes não-oficiais, documentos, vídeos, “vasculha” tudo em busca de uma verdade. O jornalista não pode ficar em uma sala com ar condicionado procurando pauta em outros veículos. Ele é quem anda nas ruas, mesmo com sol, gastando sola de sapato, encontrando gente, personagens, a alma de sua notícia. Por isso, é necessária a liberdade!


Jornalista é quem sabe que não é mais importante que ninguém, é quem busca encontrar a verdade mesmo com muitos empecilhos, é quem tem como características a determinação e a curiosidade. Acima de tudo, é quem realmente ama o que faz.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

É a sua hora de brilhar!

Pensando nos últimos filmes a que assisti, notei enredos semelhantes, sobre os quais vale a pena uma reflexão. Em Universidade Monstros, Mike Wazowski sonha ser um monstro assustador, mas por sua forma física, sofre preconceito e é vítima de brincadeiras maldosas feitas pelos outros estudantes da faculdade.


O mesmo acontece com Charlie, em “As Vantagens de Ser Invisível”. O jovem é excluído dos grupinhos do colégio, até mesmo pela irmã, e sofre bullying físico e moral na própria escola.


O auge de ambos os filmes é quando os protagonistas encontram amigos de verdade, os quais os aceitam como são, sem exigirem que se adéquem a modelos pré-determinados.


Mike, por não ter sido aceito em nenhum grupo para participar das Olimpíadas do Susto, une-se a outros alunos considerados “esquisitos”. O grupo é alvo de caçoada, já que os rivais acreditam que não tinham capacidade para vencer a competição, o que faz com que alguns integrantes sintam-se desmotivados. Mike mostra para os novos amigos que “cada um de nós é especial, com suas diferenças” e, com isso, o grupo surpreende os concorrentes, passando por várias etapas sem ser eliminado.


Já em “As Vantagens de Ser Invisível”, Charlie encontra Patrick e Sam, seus veteranos, que propõem: “Vamos ser loucos juntos!”, o que muda completamente o seu mundo, fazendo com que o menino passe a acreditar em si mesmo. 

Ainda nesse filme, o namorado de Patrick esconde a relação homoafetiva, com medo do que os outros pensariam, já que é um popular jogador de futebol americano. É incrível como sempre estamos preocupados com o estereótipo que as pessoas ao nosso redor fazem de nós. Isso não deveria reger nossas vidas ou censurar nossos atos. Todos somos especiais_ cada um à sua maneira_ só precisamos deixar nossas cores explodirem!


Então antes de agir pensando no que o outro vai pensar ou criar um pré-conceito em relação ao seu próximo, REFLITA!

domingo, 14 de julho de 2013

A verdade por trás da rotina

Atualmente, se você perguntar a uma pessoa como andam as coisas, é bem provável que uma dessas expressões apareça na resposta: cansativas, corridas, agitadas. As pessoas estão sobrecarregadas em suas rotinas, o que faz com que não percebam pequenos detalhes da vida. A configuração padrão da sociedade é pensar os acontecimentos a partir de sua individualidade, ou seja, a partir de suas experiências e, dessa forma, cada um acaba encaixando-se na posição central, desejando que tudo seja subordinado a suas vontades.

Seguindo tal raciocínio, aborrecem-se facilmente por qualquer item que escape ao seu controle e não siga seus planos, como: engarrafamentos, filas de supermercado e pessoas que têm pressa. Entretanto, se pararem para pensar de outra forma, se imaginarem as histórias por trás de cada ser humano que cruza seu caminho, poderão compreender o mundo através de outros significados, enxergando, talvez, o dia-a-dia de forma mais agradável.

Aprender a pensar é algo extremamente relativo, já que o interpretante varia de acordo com a trajetória e a cultura de cada pessoa, porém aprender a pensar pode ser extraordinariamente útil caso entenda-se que essa faculdade humana é saber valorar o que é verdadeiramente essencial e relevante à vida de cada um.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

MMA: um esporte vitimado pelo preconceito

A partir da transmissão do UFC (Ultimate Fighting Championship) pela Rede Globo e pelo canal Combate, da criação do The Ultimate Fighter, o reality show de luta do maior canal aberto da televisão brasileira, e das vitórias alcançadas pelo carismático lutador Anderson Silva, o MMA (Mixed Martial Arts) popularizou-se, fazendo com que o hábito de reunir os amigos para assistir a uma partida de futebol também se estendesse a essa modalidade esportiva. Diante da ascensão, a luta virou pauta de discussão: seria o MMA um esporte ou apenas uma expressão da brutalidade humana?


As artes marciais mistas (MMA) misturam estilos de lutas e habilidades diferentes, exigindo com que o atleta possua muita disciplina para treinar várias modalidades a fim de se destacar tanto no chão, quanto em pé. Ele também deve compreender as regras da atividade competitiva, a qual é subordinada a uma organização, no caso, a UFC. Por tais motivos, pode ser considerado um esporte de alto rendimento, o qual exige muito do corpo do atleta, fazendo com que algumas lesões específicas sejam conseqüência, assim como joanetes, unhas roxas, tendinites, escolioses são as do balé e lesões de joelho, torções, problemas musculares são as do futebol.


Uma visão preconceituosa estabelece que o MMA é a expressão do instinto mais primitivo do ser humano, pelo fato de os competidores deferirem golpes uns contra os outros. Entretanto, o objetivo do esporte é a própria superação de seus limites, é descobrir quem tem as melhores técnicas ou faz uso mais eficaz dessas, mas não tem por finalidade tirar sangue do adversário. Isso é um risco ao qual os atletas estão expostos e que aceitam correr, assim como os corredores de Fórmula 1 assumem o risco de morrer em uma colisão.

Acidente Ayrton Senna
Outro argumento nesse sentido declara que o MMA incentiva crianças a serem violentas, já que muitas não têm a oportunidade de participar de uma academia de lutas e tomar conhecimento sobre a parte teórica do esporte. Porém, essa alegação não se suporta porque os próprios lutadores dão declarações na mídia e participam de campanhas publicitárias, pregando o espírito esportivo e condenando atitudes violentas fora do ringue. Ademais, a violência está presente em nossa sociedade em diversos outros meios, como videogames; filmes; no preconceito em variadas formas, como repressão a homossexuais; em nosso dia-a-dia, com a insegurança gerada por ladrões ou pela repressão da polícia a manifestantes. Ainda há quem alegue que a modalidade originária do vale-tudo não passa de um show midiático cujo único objetivo é o lucro, mas se esse for o quesito para não considerá-la um esporte, também não podemos assim considerar o futebol. Ambos envolvem muito dinheiro em sua realização e têm atletas explorados em campanhas publicitárias, a exemplo: Anderson Silva e Neymar Jr.


Por ser baseado em regras, disciplina e ser uma atividade competitiva subordinada a uma organização, o MMA é sim um esporte. Todos envolvidos que aceitam participar passam por treinamentos intensos e estão conscientes dos riscos e conseqüências da luta, responsabilizando-se por eles, sendo assim, não é possível considerar a modalidade uma brutalidade.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Prostituição Musical

 Esse é o primeiro post de um convidado: Gabriel Rocha. Gabriel é aluno de comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), atua na Assessoria da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora, além de ser guitarrista da banda Skalhambecks.


A vida do músico hoje, no Brasil, é difícil. Além de enfrentar as dificuldades rotineiras da profissão, como o alto custo de equipamentos de qualidade, gastos com manutenção, aulas e workshops, os artistas têm no mercado o principal castigo. Não há espaço apropriado para que o músico demonstre seu trabalho, apoio financeiro, e, principalmente, liberdade de estilos musicais.

Os espaços destinados a shows e apresentações estão presentes em pouca quantidade no país e mesmo os que ainda se mantém abertos, às vezes, apresentam precariedade no equipamento de som, acústica desfavorável, ausência de estrutura de palco e de mão de obra qualificada na operação do áudio.

O trabalho do músico é visto pela maioria da população como algo indiferente para a sociedade: não passa de entretenimento. No entanto, várias pessoas não dispensam seus mp3s, mp4s, celulares, aparelhos de som, DVDs musicais e o som no carro. É “apenas” um entretenimento, mas muitos não abrem mão dele em seu dia-a-dia e em momentos de confraternização, seja em casa ou em casas noturnas.

Chega a ser lamentável assistir a profissionais da música que são contratados por churrascarias e restaurantes: exercem sua profissão sem receber valor, tocam para ninguém. É como se bastassem caixas de som espalhadas pelo ambiente e um notebook ligado a elas. O valor da arte e da presença do profissional são simplesmente ignorados.
Foto da internet: Cantores em churrascaria

A ingratidão do mercado é outra barreira enfrentada pelos profissionais, os quais precisam se adequar ao estilo do momento. O Brasil já viveu a época da bossa nova, da mpb, do rock, do “emo”, e agora passa por uma época que mescla funk, pagode e predomina o “sertanejo universitário”. Se um artista ou uma banda tem um som diferente a ser mostrado, não consegue ser ouvido. Só tocam nas rádios e são contratados grupos que se enquadrem no estilo musical preferido pela maioria. O retorno financeiro é o principal alvo de empresários do ramo. As próprias gravadoras também acabam vitimando os artistas do país.

A valorização do músico não pode mais esperar! A permanência no mercado não pode justificar a prostituição, a população precisa se atentar e apoiar profissionais de que tanto precisam em seu cotidiano.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Liberdade, meta palpável ou utopia?

Entre os brados do Junta Brasil que representavam a ânsia por mudanças no país, um foi a expressão da violência: “o povo não é bobo, abaixo à Rede Globo”. Não por demonstrar a insatisfação com a linha editorial da emissora, mas porque, junto aos gritos rimados, vieram o desrespeito e a intimidação aos jornalistas da empresa, os quais não conseguiram concluir suas matérias, dentre eles:
  • Caco Barcellos

  • Zelda Mello

  • O repórter da TV Integração Luciano Teixeira.

A indignação dos manifestantes é contra a alienação gerada pela Rede Globo de televisão, pela cobertura dos protestos que privilegiam o ponto de vista dos policiais e estereotipam os ativistas como baderneiros. A partir disso, descontaram toda a sua raiva nos que a representavam: as equipes de reportagem. Entretanto, os participantes do movimento que, entre tantas causas, lutavam também pela liberdade de expressão agiram na contramão de suas ideias. Ao impedirem que os jornalistas executassem seu trabalho, censuraram-nos e cessaram a liberdade desses de construir uma reportagem da forma que bem entendessem.

Além disso, os manifestantes não se colocaram no lugar dos profissionais, não questionando se, em tal posição, não gostariam de trabalhar em uma grande organização e atingir um cargo que é, no censo comum, sinônimo de êxito profissional. Também estereotiparam os jornalistas como seres inconscientes, que cumprem cegamente o que lhes é ordenado, não analisando a trajetória e o perfil deles. Caco Barcellos, por exemplo, dedicou oito anos de sua vida em pesquisas que resultaram no livro “Rota 66 – a história da polícia que mata”, o qual lhe rendeu ameaças por criticar a ação de policiais nas favelas.


O jornalista do programa Profissão Repórter ainda coleciona dois prêmios Vladimir Herzog, sendo um justificado pela reportagem sobre o atentado militar no Riocentro, durante comemorações do Dia do Trabalhador. Ademais, em 2008, foi consagrado como um dos cinco jornalistas de destaque na defesa dos Direitos Humanos no Brasil, pelo Prêmio Especial das Nações Unidas. Será mesmo que Caco Barcellos iria produzir uma reportagem parcial, ignorando a violência da Polícia Militar e o depoimento dos pacíficos?

Para exigir a mudança no outro é preciso, antes, mudar a si mesmo. Não adianta criticar quem rompe sua liberdade se você faz o mesmo com os outros, se não dá o exemplo. Antes de gritar por aí suas ideologias, pratique-as!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

2º Protesto Junta Brasil em Juiz de Fora

Nessa quinta-feira (20), aconteceu o 2º Protesto Junta Brasil em Juiz de Fora (MG) e, novamente, os juiz-foranos mostraram o que os deixa insatisfeitos.










Mas também houve brincadeiras...


Como já disse no post anterior, o movimento não foi feito apenas de jovens e universitários, quem guarda na memória outros momentos históricos como os de 1964 e de 1992 também esteve presente.

Alice Lelis Carneiro
O movimento de hoje teve, ao meu ver, menos entusiasmo que o primeiro, por vários motivos: os participantes não gritavam frases ou rimas com muita freqüência; a Settra organizou-se e tirou os ônibus de circulação no horário da manifestação e muitas pessoas programaram-se, saíram mais cedo do trabalho, e não foram pegas de surpresa pelos ativistas. Mesmo assim, barulho não faltou. Inúmeros fogos de artifícios foram disparados, além da presença do barulho de apitos e cornetas.


Ao longo do caminho, os manifestantes eram apoiados pelos moradores dos prédios que, em ato simbólico, piscavam as luzes de seus apartamentos. Quando a caminhada chegou ao Parque Halfeld, uma surpresa: uma enorme projeção em um prédio, com frases como “Vem pra Rua”, além de outras que protestavam contra o Estatuto do Nascituro e pedindo Licitação da Astransp com urgência. 
Foto: Lais Bello
De negativo: os manifestantes estavam soltando “bombinhas”. Uma até caiu no pé de uma senhora que nem estava participando do movimento e teve que sair correndo.


No próximo sábado (22), um novo movimento está sendo combinado nas redes : o Dia do Basta contra a PEC 37. São os cidadãos lutando por um Brasil melhor!


terça-feira, 18 de junho de 2013

Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil

Orgulho, esse foi o sentimento ao me deparar com uma multidão que gritava por mudanças implorando ser ouvida pelas autoridades. Os números, informados pela polícia e pelos organizadores do evento, variam entre cinco e dez mil participantes no Junta Brasil, durante a manifestação em Juiz de Fora (MG). O aglomerado seguiu da Praça São Mateus, desde às 16h30 dessa segunda-feira (17), passando pela Av. Itamar Franco, Av. Rio Branco, Av. Getúlio Vargas e findando no encontro da Av. Itamar Franco com a Av. Rio Branco.

O protesto de Juiz de Fora, em apoio ao movimento de São Paulo, teve muitos motivos. “Os vinte centavos foram só a gota d’água. Estamos lutando por nossos direitos, por um transporte de qualidade, contra a PEC 37 e o Estatuto do Nascituro porque nosso estado é laico e não precisamos disso. Viva à democracia! Viva à revolução!”, declarou a estudante Aline Lima. A graduanda em biologia Daniela Alvim justificou sua presença no manifesto relatando que os juiz-foranos foram às ruas devido à violência policial no Rio de Janeiro e em São Paulo, entretanto, estava ali para lutar contra a corrupção e os desvios de verbas nas obras da Copa.
Foto: Guilherme Arêas
A ativista e aluna de Ciências Humanas, Bárbara Viana, também expressou sua opinião: “Desde o impeachment de Collor, o povo estava dormindo acomodado. Mas agora cansamos!”. Entretanto o movimento não foi feito apenas de universitários e jovens. A aposentada Júlia Ribeiro, de 66 anos, participou do Junta Brasil reivindicando melhores condições no transporte público em Juiz de Fora. O advogado Alexandre Rezende saiu do trabalho e uniu-se à massa para dar força à manifestação, declarando que o movimento se devia a uma “insatisfação com todo o aparato do poder estatal em diferentes setores. Tanto econômico, quanto social, da saúde e ambiental”. A gerente administrativa Carolina Rocha, mesmo não participando, apoiou o protesto relatando que, para ela, a motivação era a falta de investimento de dinheiro na educação. Além da gerente, muitas pessoas expressaram seu apoio ao ato, jogando pelas janelas dos prédios papéis picados ou balançando toalhas brancas.

Os participantes ocuparam as quatro pistas da Av. Rio Branco, parando o trânsito, mas abriram espaço para que uma ambulância passasse. O movimento foi pacífico, apartidário, não havendo intervenção da polícia, a qual não quis se manifestar em relação ao ato. O Major Justino e demais companheiros de corporação informaram que apenas o Coronel Mário, responsável pela ação dos policiais militares, poderia dar entrevistas, mas esse não foi encontrado.

Enquanto passavam ao lado dos ônibus, os manifestantes gritavam: “Uh! Sai do busão!”, “ Vem para rua!”. Ao longo da caminhada, outras rimas foram entoadas, como: “Ei! Você aí parado, também é explorado”, “O povo alienado é sempre explorado” e “O povo acordou, o povo decidiu. Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil!”. É notório que a manifestação de Juiz de Fora, assim como as demais que ocorreram nas capitais e pequenas cidades, têm motivações que transcendem os vinte centavos paulistanos. O povo sufocado brada que não aguenta mais. Lutam pelo direito de manifestar, de não serem roubados com rotineiros desvios de verbas, por leis mais igualitárias, dentre tantas outras razões. É preciso mostrar que os tempos de repressão, de ditadura, ficaram apenas no passado e que não vamos deixar, nem admitir que essa história se repita!


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pai, afasta da imprensa esse cálice

O assunto principal da maioria dos sites de notícia brasileiros, nesta quinta-feira (13), foi a manifestação contra o aumento das tarifas de transporte em São Paulo e a ação das polícias. 

Durante os atos, jornalistas que faziam a cobertura foram presos, dentre eles, profissionais da UOL, Folha de São Paulo, Terra e Carta Capital. Motivo? Porque estavam fazendo o seu trabalho ao retratar a realidade.
Fotógrafo é detido pela polícia durante cobertura da manifestação contra aumento da tarifa de transporte urbano em São Paulo (SP). Foto: Alex Silva/Estadão
Nesse momento de censura, lembro de todo o caminho que a imprensa percorreu para garantir o seu direito de ser livre.
  • Em 1821, D. Pedro, príncipe regente, decreta o fim da censura prévia para toda a matéria escrita, tornando a nossa imprensa livre.
  • O Jornal do Brasil nasce com a República, independente de vínculo partidário, assumindo a posição de jornal livre. Após a morte de D. Pedro II, dois artigos são publicados incitando a volta da monarquia; a redação é atacada por invasores armados e o Ministro da Justiça declara que: “não poderia garantir a vida para os jornalistas que trabalham nos jornais monarquistas”.
  • Durante o Estado Novo, surge o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável pela censura e controle da imprensa, da literatura, do teatro, do cinema e de quaisquer manifestações culturais. Em 1953, é criada a Lei de Imprensa, que previa multas e prisão caso o jornalista ofendesse a moral pública e os bons costumes.
  • Em 1968, na Ditadura Militar, o AI-5 cerceia a liberdade dos meios de comunicação de massa, impondo censura prévia a todos eles.

Ainda podemos lembrar alguns casos específicos de censura na história:

  • Em 1859 o jornal Publicador paulistano teve sua sede arrombada e todos os seus documentos queimados, assim como em 1890, A Tribuna também foi invadida por publicar artigos contra o Marechal Deodoro da Fonseca e contra o exército.
  • “O Correio da Manhã”, que frequentemente denunciava os abusos da ditadura, foi perseguido: a sua sede foi atacada a bomba, invadida e interditada.
  • Vladimir Herzog, jornalista de 38 anos, que já havia trabalhado em diversas empresas, foi convocado a comparecer no DOI-CODI_ Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna_ para prestar esclarecimentos sobre sua suposta ligação com o Partido Comunista Brasileiro. No dia seguinte, foi encontrado morto com o cinto do uniforme de prisioneiro enforcando seu pescoço e amarrado na janela; os militares alegaram que ele havia se suicidado, porém a foto divulgada mostra o jornalista com os pés no chão, ou seja, como muitos militantes da época diziam: “ele foi suicidado pela ditadura”.
Em tempos de democracia, atitudes como as da Polícia de São Paulo são inconcebíveis. Os jornalistas sempre lutaram pelo direito à informação e à liberdade de expressão, porém as conquistas parecem estar sendo ignoradas. Uma jornalista da Folha de São Paulo, ainda durante a cobertura do ato contra aumento da passagem de transportes públicos,  recebeu um tiro de bala de borracha que atingiu seu olho.
Foto: Diego Zanchetta/Estadão
Até quando os “poderosos” ainda vão pensar que podem controlar o povo, escondendo informações, através do uso da força e da censura?

“Há um gosto que vem de longe na vida brasileira: o gosto de mandar os de baixo calarem a boca. A autoridade pátria se sente mais segura quando tem ao alcance da mão esse instrumento cortante e bem pesado, esse facão material e plúmbeo chamado censura.”
(Eugênio Bucci)


Observação: entre as coberturas das manifestações de São Paulo, podem-se perceber sutis palavras e expressões que marcam a opinião dos veículos quanto ao acontecimento. Compare: Veja, Carta Capital, Época, Estadão, Folha de São Paulo, Blog do Sakamoto.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Tolerância: o elo entre religião e esporte

Não é de hoje que religião e esporte têm uma ligação. Na Grécia antiga, antes da criação das Olimpíadas, os gregos já realizavam competições como forma de homenagear deuses, principalmente Zeus. Entretanto, atualmente, a mídia tornou bem mais perceptível essa relação. 

Atletas ajoelham-se para agradecer a vitória; os perdedores crêem que a mão divina assim o fez porque reserva um futuro melhor; antes dos jogos, os vestiários são cenários de rezas coletivas repletas de pedidos para que tudo dê certo, leia-se, para que Deus os favoreça. Essas são apenas algumas das manifestações de religiosidade no esporte, mas eis a pergunta: até quando esse vínculo é saudável e positivo?


A religião pode sim ajudar o esporte a partir do momento em que faz o atleta acreditar que a causa primária de todas as coisas está ao lado deles e, portanto, que eles têm vantagem. Dessa forma, mais confiantes, apresentam um melhor desempenho justificado pela fé. Todavia, existem casos em que os benefícios são questionáveis, por exemplo: um time mulçumano que conta com jogadores evangélicos e católicos, mas obriga os contratados a seguirem as regras da religião, como não comer carne de porco, nem consumir bebida alcoólica. Outro exemplo é o de uma igreja evangélica em Nova Iguaçu (RJ) que oferece aulas gratuitas de Jiu-Jítsu e, como moeda de troca, obriga que os interessados na arte marcial frequentem os cultos.

A justificativa de ambos é levar a disciplina da religião para o esporte, mas tudo que é forçoso, não é feito de bom grado, sendo assim, não tem um resultado positivo. Por trás da boa vontade dos templos religiosos, existe o interesse de prospectar fiéis para aquela convicção, agregando seguidores. Os mulçumanos alegam a criação do time Islam devido ao preconceito existente contra a sua crença, mas exigir que o outro siga a sua fé, também é uma forma de preconceito. 

A religião deve ser escolhida e praticada livremente. Ela é positiva no campo esportivo enquanto forma de incentivo e não como objeto segregador. Com função semelhante, os esportes servem para fomentar a interação social e promover o aprendizado sobre o convívio coletivo, sendo assim, não existe motivo para tanto conflito. Não existe problema na união desses fatores que mexem tanto com o coração humano quando essa relação é harmônica. É preciso que haja respeito à crença alheia, humildade para saber que não existe uma religião certa e outra errada, além de tolerância, atitude essencial para quem vive em sociedade.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O sorriso de Ouro Preto

O bom humor diário prevalece, mesmo após longos 45 anos de profissão. Pedro Custódio tem por ofício enriquecer viajantes com a cultura e a história de Ouro Preto (MG), contando detalhes e curiosidades das igrejas e museus, além de responder aos questionamentos dos turistas, envolvendo, dessa forma, adultos, crianças e idosos.

O senhor de 61 anos destaca-se dos guias mais jovens pela atenção ofertada a cada um que lhe dirige qualquer pergunta e pelo brilho nos olhos ao responder os questionamentos. O amor pela profissão foi herdado do pai, também guia, com quem aprendeu quase tudo o que sabe. Nenhum curso técnico ou universitário o capacitou, apenas um curso de como conduzir pessoas, do qual participou com 12 anos; a convivência com os avós repletos de “causos”; e a vida, inteiramente vivida naquela cidade.


Mas não seria entediante apresentar todos os dias, e às vezes mais de uma vez por dia, os mesmos monumentos e falar sobre os mesmos assuntos? Custódio rebate justificando que o prazer de sua profissão é sempre conhecer pessoas novas, de diferentes lugares e não se apegar a uma rotina específica. Assim, o guia conseguiu sustentar sua casa, como autônomo, fazendo o seu marketing pessoal e sabendo ser tolerante: “O tour de quatro horas é 80 reais, mas se o turista for mais pobrinho, faço por 50 ou 40 mesmo”.


Ao final da conversa, o senhor Pedro me oferece seu cartão, pedindo para que eu o indicasse caso conhecesse alguém que fosse visitar Ouro Preto e complementa dizendo que sempre está na Praça Tiradentes. Se você passar por lá, é fácil reconhecê-lo: basta procurar pela alma mais sorridente e simpática da antiga Vila Rica.

domingo, 26 de maio de 2013

Profissão: Dinheiro X Felicidade ou Felicidade + Dinheiro?

Não consegui classificar o post de hoje em nenhum gênero de matéria jornalística. Esse post é mais uma conversa com quem está pensando sobre qual profissão escolher ou quem está vivendo um drama a respeito de sua vida profissional.

Já vi muitas pessoas se questionando se estavam fazendo o curso certo; vestibulandos em dúvida entre um curso que lhes proporcionaria sucesso financeiro e outro que realmente gostariam de fazer; ou pessoas pensando se estavam no rumo certo para alcançar o seu objetivo. É bem verdade que pelo menos um desses questionamentos já rondou nossas mentes.


Mas o que é ser bem-sucedido? É alcançar seus sonhos ou ter muito dinheiro? Acredito que felicidade está diretamente relacionada ao sucesso. Se você faz o que você ama, você terá êxito. Imagina viver a vida inteira podre de rico, mas infeliz? Não, isso minha mente não consegue conceber e realmente espero que a sua também não.

Você já ouviu os conceitos Workaholics ou Worklovers? São pessoas viciadas em trabalho, ou melhor dizendo, pessoas que amam tanto o que fazem que não separam sua vida profissional e pessoal, porque elas se completam. Por gostarem do que fazem, são os melhores em suas áreas e, portanto, bem-sucedidos. 

É fácil reconhecê-los por aí: jornalistas que usam suas redes sociais para publicarem as últimas notícias, futuros arquitetos que postam com freqüência imagens de prédios, casas e outras construções; e pessoalmente, são aqueles cujos olhos brilham ao explicar o que fazem em seus trabalhos.


Se você está escolhendo uma profissão para a sua vida, escolha algo que lhe dê prazer, algo que lhe dê ânimo ao levantar na segunda-feira e que você tenha certeza que foi feito para isso. Não pense em dinheiro, isso é conseqüência do seu esforço! 

Se você está em dúvida se está no caminho certo, questione-se: eu sou feliz com que eu faço? Se a resposta for não, mude! Arrisque, independente das críticas e opiniões alheias! Nunca é tarde e você tem um mundo a conquistar, então não perca nem mais um segundo do seu tempo em algo que não traz alegria. Nada acontece se você não tomar uma atitude, então estabeleça metas e trace estratégias para alcançá-las!