domingo, 24 de novembro de 2013

Segurança Pública em Pauta

Geralmente, os veículos de comunicação, ao tratarem de segurança pública, exaltam temas como fugas, rebeliões e corrupção, deixando de lado questões relevantes a seres discutidas; a exemplo: as dificuldades estruturais do sistema.

Infelizmente, uma boa parte da sociedade ainda nutre o pensamento que “bandido bom é bandido morto” ou que “todo castigo é pouco". Porém, as condições sub-humanas das cadeias e delegacias que abrigam infratores podem ter efeito contrário ao pretendido. Ao invés de recuperarem o cidadão para então devolvê-lo às ruas, geram rancor por todo sofrimento, por exemplo, por ele ficar em uma cela que mais se assemelha a uma jaula, sob sol ou sob chuva, pela falta de higiene ou ainda pela superlotação das celas, sendo assim, altos índices de reincidência são registrados.


Não é uma questão de os presos sentirem-se em um hotel, com mordomias, mas é uma questão de dignidade. Se realmente espera-se que haja alguma transformação no indivíduo encarcerado, são necessárias ações que permitam a ele reconstruir sua vida, tal como a oferta de educação que, a propósito, é ordenada por lei; possibilidade de profissionalização e uma posterior inserção desse infrator no mercado de trabalho, o qual muitas vezes é preconceituoso.

A população também sofre cotidianamente com o sistema de segurança pública do país, devido ao número insuficiente de policiais e delegados, à preguiça de alguns funcionários públicos que não executam suas funções como deveriam, à lentidão do sistema judiciário. Por esses motivos e outros tantos, mães que perderam seus filhos também perdem a esperança na justiça, cidadãos demoram horas para fazer simples boletins de ocorrência, enquanto ficamos de braços cruzados esperando que a toda situação mude sozinha.

Todo cidadão deve ter seus direitos preservados, seja pobre, rico, infrator ou não. E se não tiver, deve reclamar, recorrendo aos órgãos competentes até ser atendido. Apenas com um sistema corretivo baseado na dignidade e uma segurança pública que trate seus cidadãos de forma igualitária e respeitosa, seremos capazes de avançar.

2 comentários:

  1. Parabéns Letycia pelas reflexões! Essa formação consciente é, sem dúvida, um diferencial para a prática de um jornalismo mais responsável e com olhares mais críticos, em especial para a segurança pública! Abraço

    Ricardo Bedendo

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