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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Você lava suas mãos?

A sociedade brasileira não acredita mais na Justiça do país, pois enxerga que essa tem pesos diferentes para ricos e pobres, além de não demonstrar credibilidade, já que a maioria dos criminosos é solta sem ter cumprido, ao menos, metade do tempo de pena previsto. Por essa descrença, muitos cidadãos acham certo fazer justiça com as próprias mãos. As provas são acontecimentos recentes, como o linchamento de uma mulher até a morte, acusada falsamente de praticar rituais de magia negra com crianças, e o espancamento de um jovem que havia praticado furto no Rio de Janeiro, o qual terminou preso a um poste nu, com uma trave de bicicleta. Mas será essa mesma a solução para os nossos problemas cotidianos?

Menor preso a um poste no Flamengo (RJ), por justiceiros, após cometer um furto. Imagem da internet.

Uma pesquisa aponta que 17% dos cariocas acreditam que arregaçar as mangas e fazer o trabalho da polícia é a forma mais eficiente de corrigir os problemas de nossa sociedade. Entretanto, ao punir quem comete alguma infração, sem o respaldo da lei, o justiceiro também se transforma em um criminoso. Ademais, se cada um decidir resolver as coisas a seu próprio modo, voltaremos à idade da pedra, aceitando a máxima "olho por olho e dente por dente", inseridos em um caos total.

Talvez a imprensa sensacionalista, a qual dá prioridade apenas para notícias repletas de sangue, tenha um pouco de culpa no comportamento dessa parcela da sociedade. Mas não queremos achar os culpados, o importante é avaliar a conduta em si. Todo problema social tem origem na falta de políticas públicas, portanto investimentos em educação solucionariam tanto o comportamento de justiceiros, quanto a formação de futuros infratores. Além disso, não podemos deixar de lembrar que ao punir com as próprias mãos, estaremos ignorando completamente os direitos humanos, já que todo cidadão deve ser respeitado.

Dessa forma, tentar suprir as falhas de segurança pública com atitudes individuais, ou mesmo coletivas, só aumenta a histeria da sociedade e os problemas já existentes. É preciso que o governo invista em políticas públicas como educação e melhore o funcionamento do setor judiciário, para que as leis já existentes tenham alguma eficácia e reflexo em nosso dia-a-dia.

domingo, 24 de novembro de 2013

Segurança Pública em Pauta

Geralmente, os veículos de comunicação, ao tratarem de segurança pública, exaltam temas como fugas, rebeliões e corrupção, deixando de lado questões relevantes a seres discutidas; a exemplo: as dificuldades estruturais do sistema.

Infelizmente, uma boa parte da sociedade ainda nutre o pensamento que “bandido bom é bandido morto” ou que “todo castigo é pouco". Porém, as condições sub-humanas das cadeias e delegacias que abrigam infratores podem ter efeito contrário ao pretendido. Ao invés de recuperarem o cidadão para então devolvê-lo às ruas, geram rancor por todo sofrimento, por exemplo, por ele ficar em uma cela que mais se assemelha a uma jaula, sob sol ou sob chuva, pela falta de higiene ou ainda pela superlotação das celas, sendo assim, altos índices de reincidência são registrados.


Não é uma questão de os presos sentirem-se em um hotel, com mordomias, mas é uma questão de dignidade. Se realmente espera-se que haja alguma transformação no indivíduo encarcerado, são necessárias ações que permitam a ele reconstruir sua vida, tal como a oferta de educação que, a propósito, é ordenada por lei; possibilidade de profissionalização e uma posterior inserção desse infrator no mercado de trabalho, o qual muitas vezes é preconceituoso.

A população também sofre cotidianamente com o sistema de segurança pública do país, devido ao número insuficiente de policiais e delegados, à preguiça de alguns funcionários públicos que não executam suas funções como deveriam, à lentidão do sistema judiciário. Por esses motivos e outros tantos, mães que perderam seus filhos também perdem a esperança na justiça, cidadãos demoram horas para fazer simples boletins de ocorrência, enquanto ficamos de braços cruzados esperando que a toda situação mude sozinha.

Todo cidadão deve ter seus direitos preservados, seja pobre, rico, infrator ou não. E se não tiver, deve reclamar, recorrendo aos órgãos competentes até ser atendido. Apenas com um sistema corretivo baseado na dignidade e uma segurança pública que trate seus cidadãos de forma igualitária e respeitosa, seremos capazes de avançar.