sexta-feira, 12 de julho de 2013

MMA: um esporte vitimado pelo preconceito

A partir da transmissão do UFC (Ultimate Fighting Championship) pela Rede Globo e pelo canal Combate, da criação do The Ultimate Fighter, o reality show de luta do maior canal aberto da televisão brasileira, e das vitórias alcançadas pelo carismático lutador Anderson Silva, o MMA (Mixed Martial Arts) popularizou-se, fazendo com que o hábito de reunir os amigos para assistir a uma partida de futebol também se estendesse a essa modalidade esportiva. Diante da ascensão, a luta virou pauta de discussão: seria o MMA um esporte ou apenas uma expressão da brutalidade humana?


As artes marciais mistas (MMA) misturam estilos de lutas e habilidades diferentes, exigindo com que o atleta possua muita disciplina para treinar várias modalidades a fim de se destacar tanto no chão, quanto em pé. Ele também deve compreender as regras da atividade competitiva, a qual é subordinada a uma organização, no caso, a UFC. Por tais motivos, pode ser considerado um esporte de alto rendimento, o qual exige muito do corpo do atleta, fazendo com que algumas lesões específicas sejam conseqüência, assim como joanetes, unhas roxas, tendinites, escolioses são as do balé e lesões de joelho, torções, problemas musculares são as do futebol.


Uma visão preconceituosa estabelece que o MMA é a expressão do instinto mais primitivo do ser humano, pelo fato de os competidores deferirem golpes uns contra os outros. Entretanto, o objetivo do esporte é a própria superação de seus limites, é descobrir quem tem as melhores técnicas ou faz uso mais eficaz dessas, mas não tem por finalidade tirar sangue do adversário. Isso é um risco ao qual os atletas estão expostos e que aceitam correr, assim como os corredores de Fórmula 1 assumem o risco de morrer em uma colisão.

Acidente Ayrton Senna
Outro argumento nesse sentido declara que o MMA incentiva crianças a serem violentas, já que muitas não têm a oportunidade de participar de uma academia de lutas e tomar conhecimento sobre a parte teórica do esporte. Porém, essa alegação não se suporta porque os próprios lutadores dão declarações na mídia e participam de campanhas publicitárias, pregando o espírito esportivo e condenando atitudes violentas fora do ringue. Ademais, a violência está presente em nossa sociedade em diversos outros meios, como videogames; filmes; no preconceito em variadas formas, como repressão a homossexuais; em nosso dia-a-dia, com a insegurança gerada por ladrões ou pela repressão da polícia a manifestantes. Ainda há quem alegue que a modalidade originária do vale-tudo não passa de um show midiático cujo único objetivo é o lucro, mas se esse for o quesito para não considerá-la um esporte, também não podemos assim considerar o futebol. Ambos envolvem muito dinheiro em sua realização e têm atletas explorados em campanhas publicitárias, a exemplo: Anderson Silva e Neymar Jr.


Por ser baseado em regras, disciplina e ser uma atividade competitiva subordinada a uma organização, o MMA é sim um esporte. Todos envolvidos que aceitam participar passam por treinamentos intensos e estão conscientes dos riscos e conseqüências da luta, responsabilizando-se por eles, sendo assim, não é possível considerar a modalidade uma brutalidade.

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