Não é de hoje que religião e esporte têm uma ligação. Na Grécia antiga, antes da criação das Olimpíadas, os gregos já realizavam competições como forma de homenagear deuses, principalmente Zeus. Entretanto, atualmente, a mídia tornou bem mais perceptível essa relação.
Atletas ajoelham-se para agradecer a vitória; os perdedores crêem que a mão divina assim o fez porque reserva um futuro melhor; antes dos jogos, os vestiários são cenários de rezas coletivas repletas de pedidos para que tudo dê certo, leia-se, para que Deus os favoreça. Essas são apenas algumas das manifestações de religiosidade no esporte, mas eis a pergunta: até quando esse vínculo é saudável e positivo?
A religião pode sim ajudar o esporte a partir do momento em que faz o atleta acreditar que a causa primária de todas as coisas está ao lado deles e, portanto, que eles têm vantagem. Dessa forma, mais confiantes, apresentam um melhor desempenho justificado pela fé. Todavia, existem casos em que os benefícios são questionáveis, por exemplo: um time mulçumano que conta com jogadores evangélicos e católicos, mas obriga os contratados a seguirem as regras da religião, como não comer carne de porco, nem consumir bebida alcoólica. Outro exemplo é o de uma igreja evangélica em Nova Iguaçu (RJ) que oferece aulas gratuitas de Jiu-Jítsu e, como moeda de troca, obriga que os interessados na arte marcial frequentem os cultos.
A justificativa de ambos é levar a disciplina da religião para o esporte, mas tudo que é forçoso, não é feito de bom grado, sendo assim, não tem um resultado positivo. Por trás da boa vontade dos templos religiosos, existe o interesse de prospectar fiéis para aquela convicção, agregando seguidores. Os mulçumanos alegam a criação do time Islam devido ao preconceito existente contra a sua crença, mas exigir que o outro siga a sua fé, também é uma forma de preconceito.
A religião deve ser escolhida e praticada livremente. Ela é positiva no campo esportivo enquanto forma de incentivo e não como objeto segregador. Com função semelhante, os esportes servem para fomentar a interação social e promover o aprendizado sobre o convívio coletivo, sendo assim, não existe motivo para tanto conflito. Não existe problema na união desses fatores que mexem tanto com o coração humano quando essa relação é harmônica. É preciso que haja respeito à crença alheia, humildade para saber que não existe uma religião certa e outra errada, além de tolerância, atitude essencial para quem vive em sociedade.

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