O assunto principal da maioria dos sites de notícia brasileiros, nesta quinta-feira (13), foi a manifestação contra o aumento das tarifas de transporte em São Paulo e a ação das polícias.
Durante os atos, jornalistas que faziam a cobertura foram presos, dentre eles, profissionais da UOL, Folha de São Paulo, Terra e Carta Capital. Motivo? Porque estavam fazendo o seu trabalho ao retratar a realidade.
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| Fotógrafo é detido pela polícia durante cobertura da manifestação contra aumento da tarifa de transporte urbano em São Paulo (SP). Foto: Alex Silva/Estadão |
- Em 1821, D. Pedro, príncipe regente, decreta o fim da censura prévia para toda a matéria escrita, tornando a nossa imprensa livre.
- O Jornal do Brasil nasce com a República, independente de vínculo partidário, assumindo a posição de jornal livre. Após a morte de D. Pedro II, dois artigos são publicados incitando a volta da monarquia; a redação é atacada por invasores armados e o Ministro da Justiça declara que: “não poderia garantir a vida para os jornalistas que trabalham nos jornais monarquistas”.
- Durante o Estado Novo, surge o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável pela censura e controle da imprensa, da literatura, do teatro, do cinema e de quaisquer manifestações culturais. Em 1953, é criada a Lei de Imprensa, que previa multas e prisão caso o jornalista ofendesse a moral pública e os bons costumes.
- Em 1968, na Ditadura Militar, o AI-5 cerceia a liberdade dos meios de comunicação de massa, impondo censura prévia a todos eles.
Ainda podemos lembrar alguns casos específicos de censura na história:
- Em 1859 o jornal Publicador paulistano teve sua sede arrombada e todos os seus documentos queimados, assim como em 1890, A Tribuna também foi invadida por publicar artigos contra o Marechal Deodoro da Fonseca e contra o exército.
- “O Correio da Manhã”, que frequentemente denunciava os abusos da ditadura, foi perseguido: a sua sede foi atacada a bomba, invadida e interditada.
- Vladimir Herzog, jornalista de 38 anos, que já havia trabalhado em diversas empresas, foi convocado a comparecer no DOI-CODI_ Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna_ para prestar esclarecimentos sobre sua suposta ligação com o Partido Comunista Brasileiro. No dia seguinte, foi encontrado morto com o cinto do uniforme de prisioneiro enforcando seu pescoço e amarrado na janela; os militares alegaram que ele havia se suicidado, porém a foto divulgada mostra o jornalista com os pés no chão, ou seja, como muitos militantes da época diziam: “ele foi suicidado pela ditadura”.
Em tempos de democracia, atitudes como as da Polícia de São Paulo são inconcebíveis. Os jornalistas sempre lutaram pelo direito à informação e à liberdade de expressão, porém as conquistas parecem estar sendo ignoradas. Uma jornalista da Folha de São Paulo, ainda durante a cobertura do ato contra aumento da passagem de transportes públicos, recebeu um tiro de bala de borracha que atingiu seu olho.
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| Foto: Diego Zanchetta/Estadão |
Até quando os “poderosos” ainda vão pensar que podem controlar o povo, escondendo informações, através do uso da força e da censura?
“Há um gosto que vem de longe na vida brasileira: o gosto de mandar os de baixo calarem a boca. A autoridade pátria se sente mais segura quando tem ao alcance da mão esse instrumento cortante e bem pesado, esse facão material e plúmbeo chamado censura.”
(Eugênio Bucci)
Observação: entre as coberturas das manifestações de São Paulo, podem-se perceber sutis palavras e expressões que marcam a opinião dos veículos quanto ao acontecimento. Compare: Veja, Carta Capital, Época, Estadão, Folha de São Paulo, Blog do Sakamoto.


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