terça-feira, 18 de junho de 2013

Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil

Orgulho, esse foi o sentimento ao me deparar com uma multidão que gritava por mudanças implorando ser ouvida pelas autoridades. Os números, informados pela polícia e pelos organizadores do evento, variam entre cinco e dez mil participantes no Junta Brasil, durante a manifestação em Juiz de Fora (MG). O aglomerado seguiu da Praça São Mateus, desde às 16h30 dessa segunda-feira (17), passando pela Av. Itamar Franco, Av. Rio Branco, Av. Getúlio Vargas e findando no encontro da Av. Itamar Franco com a Av. Rio Branco.

O protesto de Juiz de Fora, em apoio ao movimento de São Paulo, teve muitos motivos. “Os vinte centavos foram só a gota d’água. Estamos lutando por nossos direitos, por um transporte de qualidade, contra a PEC 37 e o Estatuto do Nascituro porque nosso estado é laico e não precisamos disso. Viva à democracia! Viva à revolução!”, declarou a estudante Aline Lima. A graduanda em biologia Daniela Alvim justificou sua presença no manifesto relatando que os juiz-foranos foram às ruas devido à violência policial no Rio de Janeiro e em São Paulo, entretanto, estava ali para lutar contra a corrupção e os desvios de verbas nas obras da Copa.
Foto: Guilherme Arêas
A ativista e aluna de Ciências Humanas, Bárbara Viana, também expressou sua opinião: “Desde o impeachment de Collor, o povo estava dormindo acomodado. Mas agora cansamos!”. Entretanto o movimento não foi feito apenas de universitários e jovens. A aposentada Júlia Ribeiro, de 66 anos, participou do Junta Brasil reivindicando melhores condições no transporte público em Juiz de Fora. O advogado Alexandre Rezende saiu do trabalho e uniu-se à massa para dar força à manifestação, declarando que o movimento se devia a uma “insatisfação com todo o aparato do poder estatal em diferentes setores. Tanto econômico, quanto social, da saúde e ambiental”. A gerente administrativa Carolina Rocha, mesmo não participando, apoiou o protesto relatando que, para ela, a motivação era a falta de investimento de dinheiro na educação. Além da gerente, muitas pessoas expressaram seu apoio ao ato, jogando pelas janelas dos prédios papéis picados ou balançando toalhas brancas.

Os participantes ocuparam as quatro pistas da Av. Rio Branco, parando o trânsito, mas abriram espaço para que uma ambulância passasse. O movimento foi pacífico, apartidário, não havendo intervenção da polícia, a qual não quis se manifestar em relação ao ato. O Major Justino e demais companheiros de corporação informaram que apenas o Coronel Mário, responsável pela ação dos policiais militares, poderia dar entrevistas, mas esse não foi encontrado.

Enquanto passavam ao lado dos ônibus, os manifestantes gritavam: “Uh! Sai do busão!”, “ Vem para rua!”. Ao longo da caminhada, outras rimas foram entoadas, como: “Ei! Você aí parado, também é explorado”, “O povo alienado é sempre explorado” e “O povo acordou, o povo decidiu. Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil!”. É notório que a manifestação de Juiz de Fora, assim como as demais que ocorreram nas capitais e pequenas cidades, têm motivações que transcendem os vinte centavos paulistanos. O povo sufocado brada que não aguenta mais. Lutam pelo direito de manifestar, de não serem roubados com rotineiros desvios de verbas, por leis mais igualitárias, dentre tantas outras razões. É preciso mostrar que os tempos de repressão, de ditadura, ficaram apenas no passado e que não vamos deixar, nem admitir que essa história se repita!


2 comentários:

  1. so queria dizer q jf ta de parabens essa manifestação foi linda pacifica e com muitu respeito a todos parabens

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  2. Parabéns Letycia Cardoso pela matéria, por sua participação efetiva no protesto Junta Brasil, por não ficar vendo a banda passar. Esse momento é histórico, " Vem vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer".

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