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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vai ter Copa sim!

Pesquisas recentes da Datafolha revelaram que quase 40% dos brasileiros não são a favor da realização da Copa no país. Isso porque acreditam que o dinheiro gasto com obras para o Mundial deveria ser investido em outros setores, como educação e saúde.

O país do futebol, que recebe o campeonato internacional pela segunda vez, não ficou tão animado como era de se esperar. A um mês da Copa, a maioria das ruas estava enfeitada apenas por acessórios oficiais da Fifa, enquanto as tradicionais bandeiras e pinturas de calçadas não eram frequentes. As formas de demonstrar a insatisfação foram diversas: desde protestos à desenhos críticos.

Pintura no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Márcia Foletto/OGlobo
Vale lembrar que ano passado eclodiriam diversas manifestações de Norte a Sul do Brasil. Tudo começou por causa de um aumento nas tarifas de transportes públicos e logo outras causas também entraram em pauta: a luta contra homofobia, maiores investimentos no bem-estar da população, além do repúdio à corrupção e aos gastos excessivos com o Mundial. 

Mesmo com a proximidade do torneio, mobilizações ainda ocorriam. Um exemplo foi a colagem de adesivos no ônibus oficial da seleção brasileira por professores. Mas não é de hoje que Copa do Mundo e política estão ligados. 
Foto: Marcelo Bittar
Imagens Alzirão, Tijuca(RJ). Fotos: Letycia Cardoso 
Em 1934, o evento foi realizado na Itália. Neste período, Benito Mussolini governava através de uma ditadura e chegou a influenciar até na escolha dos árbitros que apitariam partidas do país. Coincidência ou não, a Itália foi campeã. Em 1970, o tricampeonato do Brasil serviu para desviar o foco das torturas que aconteciam devido à forte repressão da ditadura militar, fazendo com que os cidadãos enxergassem de melhor forma o presidente Médici, o qual vestiu o personagem de homem apaixonado por futebol. Já em 1978, a Argentina foi o país-sede e levou o troféu. Então, o mundial foi usado para fortalecer o regime ditatório lá, comandado por Jorge Rafael Videla.

Entretanto, agora a Copa chegou. É hoje o dia da abertura oficial e da partida entre Brasil e Croácia. A paixão volta a ser latente. Prejudicar a imagem do país internacionalmente não ajuda em nada: não revoga os roubos, os gastos exorbitantes, não faz o tempo voltar. A revanche só tem e só pode acontecer em outubro, nas urnas.

No Rio de Janeiro, as cores verde-amarelo já tomam conta das ruas, a alegria é representada por danças ensaiadas, pequenos que vão assistir ao Mundial pela primeira vez já vestem o uniforme e o comércio ambulante aproveita para faturar com a vontade de torcer dos atrasados.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Liberdade, meta palpável ou utopia?

Entre os brados do Junta Brasil que representavam a ânsia por mudanças no país, um foi a expressão da violência: “o povo não é bobo, abaixo à Rede Globo”. Não por demonstrar a insatisfação com a linha editorial da emissora, mas porque, junto aos gritos rimados, vieram o desrespeito e a intimidação aos jornalistas da empresa, os quais não conseguiram concluir suas matérias, dentre eles:
  • Caco Barcellos

  • Zelda Mello

  • O repórter da TV Integração Luciano Teixeira.

A indignação dos manifestantes é contra a alienação gerada pela Rede Globo de televisão, pela cobertura dos protestos que privilegiam o ponto de vista dos policiais e estereotipam os ativistas como baderneiros. A partir disso, descontaram toda a sua raiva nos que a representavam: as equipes de reportagem. Entretanto, os participantes do movimento que, entre tantas causas, lutavam também pela liberdade de expressão agiram na contramão de suas ideias. Ao impedirem que os jornalistas executassem seu trabalho, censuraram-nos e cessaram a liberdade desses de construir uma reportagem da forma que bem entendessem.

Além disso, os manifestantes não se colocaram no lugar dos profissionais, não questionando se, em tal posição, não gostariam de trabalhar em uma grande organização e atingir um cargo que é, no censo comum, sinônimo de êxito profissional. Também estereotiparam os jornalistas como seres inconscientes, que cumprem cegamente o que lhes é ordenado, não analisando a trajetória e o perfil deles. Caco Barcellos, por exemplo, dedicou oito anos de sua vida em pesquisas que resultaram no livro “Rota 66 – a história da polícia que mata”, o qual lhe rendeu ameaças por criticar a ação de policiais nas favelas.


O jornalista do programa Profissão Repórter ainda coleciona dois prêmios Vladimir Herzog, sendo um justificado pela reportagem sobre o atentado militar no Riocentro, durante comemorações do Dia do Trabalhador. Ademais, em 2008, foi consagrado como um dos cinco jornalistas de destaque na defesa dos Direitos Humanos no Brasil, pelo Prêmio Especial das Nações Unidas. Será mesmo que Caco Barcellos iria produzir uma reportagem parcial, ignorando a violência da Polícia Militar e o depoimento dos pacíficos?

Para exigir a mudança no outro é preciso, antes, mudar a si mesmo. Não adianta criticar quem rompe sua liberdade se você faz o mesmo com os outros, se não dá o exemplo. Antes de gritar por aí suas ideologias, pratique-as!