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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O machismo nosso de cada dia

Mais um dia raiou. Ela levanta da cama, toma seu banho e escolhe a roupa com que vai trabalhar. No final de sua jornada, passa em uma loja para comprar um vestido que estava querendo, negocia o preço e convence o vendedor que o valor realmente estava alto. Caminha até seu carro e dirige até em casa.

Uma rotina normal, se não fossem os detalhes. A sociedade imprime ao dia-a-dia de inúmeras mulheres sinais de machismo, preconceito e atitudes inconcebíveis visto que estamos no século XXI. Ao escolher sua roupa, ela deve pensar com qual modelo ela irá sofrer menos assédio sexual; ao negociar por um preço justo, recebe um “elogio” do velho dono da loja: “vai deixar seu marido mais rico ainda, hein!”; quando caminha ouve diversos comentários sobre o quão está gostosa; no trabalho, um colega ou superior a intimida falando de sua beleza; enquanto dirige, ou mesmo quando dá caronas a amigos, tem que aguentar piadinhas “inocentes” sobre mulheres ao volante.

Parece exagero? Mas lá vão os dados: a pesquisa Chega de Fiu-Fiu mostra que 99,6% das entrevistadas já sofreram alguma forma de assédio e que pelo menos 81% já deixaram de fazer alguma coisa por medo de serem assediadas. Além disso, de acordo com uma pesquisa da revista Marie Claire e da organização Everywoman, ambas do Reino Unido, 46% das entrevistadas já sofreram sexismo (preconceito contra o sexo feminino) no escritório e 44% disseram que colegas homens já fizeram comentários inapropriados sobre sua aparência.

Karolina Basdão comenta como tal atitude faz com que as mulheres sintam-se como objetos: “Fico me sentindo como se fosse só um pedaço de carne, como se não tivesse conteúdo nenhum”. A jornalista Ana Pitta concorda explicando que ao assumir com naturalidade tais cantadas, reafirmamos que é normal a mulher ser vista como um corpo e nada mais, além disso explica o que incomoda nessa ação: "As cantadas de rua, as frases que a gente ouve quando sai com uma roupa curta, os olhares que recebemos quando estamos com um decote não são elogios, como algumas pessoas ainda insistem em defender, mas sim, algo que só reafirma uma visão que vem sido construída há muito tempo, de que a mulher foi feita pra ser vista, admirada, cobiçada, e isso em qualquer lugar, a qualquer hora, por qualquer homem que se sinta no direito de falar de seu corpo e do que faria com ela na cama".
Marcha das Vadias em Belo Horizonte (MG). Foto: Mídia NINJA
Hoje, as mulheres têm o direito de votar, estudar, trabalhar. Também precisam ter o direito de andar na rua tranquilamente, sem preocupações, sem temor. O corpo é só uma casca. Todos são iguais em direitos e liberdade. Essa é uma luta por direitos humanos!

terça-feira, 23 de abril de 2013

É preciso indignar-se com o machismo

Essa semana a notícia de que uma artista plástica teria sido morta após apanhar do marido foi veiculada na mídia. A reportagem é espantosa e, ao mesmo tempo, corriqueira. Hoje, no Brasil e no mundo, muitas mulheres são vítimas de violências que têm como autores os próprios namorados, maridos e companheiros. Em 2010, uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC constatou que a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas. 

Pelo contexto histórico, as mulheres sempre tiveram que lutar para conquistar seus direitos porque eram inferiorizadas em relação ao homem. O direto à educação, ao voto, ao trabalho, à independência sexual foram conquistados com muito suor e até mesmo sangue. Por exemplo, quando operárias de Nova York lutavam por melhores condições no trabalho, como diminuição da carga horária para 10 horas, aumento do salário e um melhor ambiente de trabalho, elas foram trancadas na fábrica e queimadas vivas. 

Mesmo depois de tantas conquistas, ainda há uma grande disparidade entre o sexo masculino e o feminino. Na vida profissional, as mulheres conquistaram o direito de trabalhar fora de casa, mas ainda sofrem com assédio moral, diferenças salariais e de cargos. De acordo com uma pesquisa da revista Marie Claire e da organização Everywoman, ambas do Reino Unido, 46% das entrevistadas já sofreram sexismo (preconceito contra o sexo feminino) no escritório e 44% disseram que colegas homens já fizeram comentários inapropriados sobre sua aparência. Segundo a juíza Márcia Cristina Cardoso em entrevista à Agência Brasil: "No Brasil, as mulheres já são 97,3 milhões, contra 93,4 milhões de homens, mas a nossa igualdade, de verdade, ainda não foi alcançada, porque o velho problema do desnível salarial persiste”. Além disso, as mulheres ainda representam apenas 27% dos cargos de chefia. 

O machismo ainda é muito presente em nossa sociedade e ele existe não apenas na cabeça de alguns homens, algumas mulheres também apresentam pensamentos machistas. Um homem pode andar como quiser na rua, enquanto se uma mulher andar com um short curto ela é considerada vadia. Um absurdo a diferença de postura adotada para os sexos. Não há diferenças entre pessoas gordas e magras, altas e baixas e por qual motivo há tanta diferença entre quem tem pênis e quem tem vagina? Não, não me diga que estou exagerando porque se uma mocinha andar por aí com roupa de ginástica, os homens vão mexer com ela, fazendo comentários constrangedores. Isso sem falar nos casos de estupro. 

Muitos desses fatos e dados que apresentei, a maioria de vocês, leitores, já conhecia. Entretanto, apesar de as diferenças sexuais e os preconceitos contra as mulheres serem temas recorrentes na mídia, eles são esquecidos, assim como aquele hit do verão de 2009. É preciso tomar uma atitude! É preciso que cada um faça a sua parte sempre que presenciar uma situação como essas. É preciso indignar-se verdadeiramente para que nós, mulheres, não tenhamos mais que ouvir piadinhas sobre “mulheres no volante”, para que possamos escolher a roupa que bem quisermos para sair de casa, andar tranquilamente pelas ruas à noite, disputar por altos cargos sem o receio de perder a posição por, simplesmente, ser mulher ou ainda ouvir casos de óbitos por violência contra mulheres proveniente de quem elas escolheram para amar.