Essa semana a notícia de que uma artista plástica teria sido morta após apanhar do marido foi veiculada na mídia. A reportagem é espantosa e, ao mesmo tempo, corriqueira. Hoje, no Brasil e no mundo, muitas mulheres são vítimas de violências que têm como autores os próprios namorados, maridos e companheiros. Em 2010, uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC constatou que a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas.
Pelo contexto histórico, as mulheres sempre tiveram que lutar para conquistar seus direitos porque eram inferiorizadas em relação ao homem. O direto à educação, ao voto, ao trabalho, à independência sexual foram conquistados com muito suor e até mesmo sangue. Por exemplo, quando operárias de Nova York lutavam por melhores condições no trabalho, como diminuição da carga horária para 10 horas, aumento do salário e um melhor ambiente de trabalho, elas foram trancadas na fábrica e queimadas vivas.
Mesmo depois de tantas conquistas, ainda há uma grande disparidade entre o sexo masculino e o feminino. Na vida profissional, as mulheres conquistaram o direito de trabalhar fora de casa, mas ainda sofrem com assédio moral, diferenças salariais e de cargos. De acordo com uma pesquisa da revista Marie Claire e da organização Everywoman, ambas do Reino Unido, 46% das entrevistadas já sofreram sexismo (preconceito contra o sexo feminino) no escritório e 44% disseram que colegas homens já fizeram comentários inapropriados sobre sua aparência. Segundo a juíza Márcia Cristina Cardoso em entrevista à Agência Brasil: "No Brasil, as mulheres já são 97,3 milhões, contra 93,4 milhões de homens, mas a nossa igualdade, de verdade, ainda não foi alcançada, porque o velho problema do desnível salarial persiste”. Além disso, as mulheres ainda representam apenas 27% dos cargos de chefia.
O machismo ainda é muito presente em nossa sociedade e ele existe não apenas na cabeça de alguns homens, algumas mulheres também apresentam pensamentos machistas. Um homem pode andar como quiser na rua, enquanto se uma mulher andar com um short curto ela é considerada vadia. Um absurdo a diferença de postura adotada para os sexos. Não há diferenças entre pessoas gordas e magras, altas e baixas e por qual motivo há tanta diferença entre quem tem pênis e quem tem vagina? Não, não me diga que estou exagerando porque se uma mocinha andar por aí com roupa de ginástica, os homens vão mexer com ela, fazendo comentários constrangedores. Isso sem falar nos casos de estupro.
Muitos desses fatos e dados que apresentei, a maioria de vocês, leitores, já conhecia. Entretanto, apesar de as diferenças sexuais e os preconceitos contra as mulheres serem temas recorrentes na mídia, eles são esquecidos, assim como aquele hit do verão de 2009. É preciso tomar uma atitude! É preciso que cada um faça a sua parte sempre que presenciar uma situação como essas. É preciso indignar-se verdadeiramente para que nós, mulheres, não tenhamos mais que ouvir piadinhas sobre “mulheres no volante”, para que possamos escolher a roupa que bem quisermos para sair de casa, andar tranquilamente pelas ruas à noite, disputar por altos cargos sem o receio de perder a posição por, simplesmente, ser mulher ou ainda ouvir casos de óbitos por violência contra mulheres proveniente de quem elas escolheram para amar.
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