São tempos difíceis para os sonhadores... e para os realistas também. O Brasil enfrenta um período de crise e, meu amigo, sinto muito em ser sincera, mas a tendência é piorar.
A energia teve alta de 13,02% em abril. Quem paga a conta, se assustou com as bandeirinhas amarela e vermelha. A alimentação também pesou e as idas com frequência ao supermercado ficaram de lado. A solução foi reunir a vizinhança para fazer compras coletivas no atacadão e conseguir algum desconto. Até os centavos economizados utilizando sacolinhas ecológicas estão valendo à pena.
O prato saudável e colorido está cada vez mais longe da realidade do brasileiro. O tomate, por exemplo, ficou mais caro 48,65% entre janeiro e abril. Enquanto, o preço da “junk food” recuou ao longo dos últimos 22 anos, de acordo com uma pesquisa britânica. Pagar as prestações do “Minha casa, minha vida” ... É! Ficou complicado para quem sonhava viver com um mínimo de segurança.
A incerteza do amanhã preocupa os empregados e desespera quem procura uma vaga. As demissões em massa são verdade para empresas que tentam sobrevivem em meio a tantos números negativos. Simultaneamente, quem tem que colocar comida na mesa, mesmo com boa graduação, aceita qualquer cargo disponível.
Com todo esse arrocho, um passeio no shopping para compras descompromissadas virou imprudência. O novo comportamento pode ser positivo por um lado, por ajudar a combater a inflação, mas, em contrapartida, enlouquece as indústrias que não conseguem vender o que produzem. Assim, decidem dar férias coletivas e a história vai virando uma bola de neve.
Incrível pensar que chegamos a esse ponto nem por falta de planejamento orçamentário, mas pela roubalheira que virou a identidade do nosso país. Os escândalos da Petrobrás e tantos outros casos de corrupção foram parar na mídia internacional. Vergonha para quem canta como hino: “o teu futuro espelha essa grandeza”. A pátria amada já não é idolatrada. Vários dos nossos querem fugir para o exterior, sem a ciência que problemas (talvez em níveis menores) também existem por lá.
A esperança de dias melhores poderia existir. Poderia, se policiais federais não dessem carteiradas e se achassem acima do bem e do mal. Poderia, se as pessoas respeitassem os procedimentos e não insistissem em dar um “jeitinho” em tudo. Poderia, se cada um tomasse consciência de que uma gota d'água faz toda a diferença para quem tem sede.
Letycia Cardoso

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