terça-feira, 23 de abril de 2013

É preciso indignar-se com o machismo

Essa semana a notícia de que uma artista plástica teria sido morta após apanhar do marido foi veiculada na mídia. A reportagem é espantosa e, ao mesmo tempo, corriqueira. Hoje, no Brasil e no mundo, muitas mulheres são vítimas de violências que têm como autores os próprios namorados, maridos e companheiros. Em 2010, uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC constatou que a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas. 

Pelo contexto histórico, as mulheres sempre tiveram que lutar para conquistar seus direitos porque eram inferiorizadas em relação ao homem. O direto à educação, ao voto, ao trabalho, à independência sexual foram conquistados com muito suor e até mesmo sangue. Por exemplo, quando operárias de Nova York lutavam por melhores condições no trabalho, como diminuição da carga horária para 10 horas, aumento do salário e um melhor ambiente de trabalho, elas foram trancadas na fábrica e queimadas vivas. 

Mesmo depois de tantas conquistas, ainda há uma grande disparidade entre o sexo masculino e o feminino. Na vida profissional, as mulheres conquistaram o direito de trabalhar fora de casa, mas ainda sofrem com assédio moral, diferenças salariais e de cargos. De acordo com uma pesquisa da revista Marie Claire e da organização Everywoman, ambas do Reino Unido, 46% das entrevistadas já sofreram sexismo (preconceito contra o sexo feminino) no escritório e 44% disseram que colegas homens já fizeram comentários inapropriados sobre sua aparência. Segundo a juíza Márcia Cristina Cardoso em entrevista à Agência Brasil: "No Brasil, as mulheres já são 97,3 milhões, contra 93,4 milhões de homens, mas a nossa igualdade, de verdade, ainda não foi alcançada, porque o velho problema do desnível salarial persiste”. Além disso, as mulheres ainda representam apenas 27% dos cargos de chefia. 

O machismo ainda é muito presente em nossa sociedade e ele existe não apenas na cabeça de alguns homens, algumas mulheres também apresentam pensamentos machistas. Um homem pode andar como quiser na rua, enquanto se uma mulher andar com um short curto ela é considerada vadia. Um absurdo a diferença de postura adotada para os sexos. Não há diferenças entre pessoas gordas e magras, altas e baixas e por qual motivo há tanta diferença entre quem tem pênis e quem tem vagina? Não, não me diga que estou exagerando porque se uma mocinha andar por aí com roupa de ginástica, os homens vão mexer com ela, fazendo comentários constrangedores. Isso sem falar nos casos de estupro. 

Muitos desses fatos e dados que apresentei, a maioria de vocês, leitores, já conhecia. Entretanto, apesar de as diferenças sexuais e os preconceitos contra as mulheres serem temas recorrentes na mídia, eles são esquecidos, assim como aquele hit do verão de 2009. É preciso tomar uma atitude! É preciso que cada um faça a sua parte sempre que presenciar uma situação como essas. É preciso indignar-se verdadeiramente para que nós, mulheres, não tenhamos mais que ouvir piadinhas sobre “mulheres no volante”, para que possamos escolher a roupa que bem quisermos para sair de casa, andar tranquilamente pelas ruas à noite, disputar por altos cargos sem o receio de perder a posição por, simplesmente, ser mulher ou ainda ouvir casos de óbitos por violência contra mulheres proveniente de quem elas escolheram para amar.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O abandono do impresso e a internet


Atualmente, as mídias digitais e redes sociais fazem parte do cotidiano das pessoas, e quem não está inserido nesse meio é considerado quase um alienígena. Através dos sites de relacionamento, quem antes era apenas receptor da mensagem, passa a ser autor, mostrando sua opinião a amigos/seguidores ou interagindo em uma publicação de outra pessoa ou empresa. 

Tendo percebido que a internet é um canal de aproximação com o leitor, jornais e revistas criaram fanpages, nas quais divulgam o conteúdo de seus sites e materiais impressos. Entretanto, a questão da possibilidade do desaparecimento dos jornais impressos em virtude do aumento da leitura virtual ainda é muito discutida e, por um objetivo extremamente comercial: vender mais jornais e revistas, algumas empresas voltaram atrás, limitando o conteúdo ao qual os internautas têm acesso. 

Para visualizar todas as matérias do site da Folha de São Paulo é preciso ser assinante do jornal, mas ainda há a possibilidade de fazer um cadastro gratuito e acessar 20 publicações por mês. Já os veículos ligados à Globo foram proibidos de divulgar links em redes sociais para que o internauta freqüente os sites por completo. Mas será que essas medidas são mesmo eficazes? As pessoas procurarão por mais conteúdo ou abandonarão de vez a informação? 

A internet possibilitou, através de todo o seu lado lúdico, que pessoas que só recebiam informação através de televisão ou rádio começassem a desenvolver o gosto pela leitura, ao mesmo tempo em que permitiu a leitura segmentada, ou seja, as pessoas podem procurar aquilo o que mais as interessa, tomando conhecimento de apenas um assunto específico. 

De fato, só saberemos o resultado das ações observando estatísticas das empresas, mas há uma certeza: muitos internautas não gostaram da restrição e estão mostrando sua indignação nas próprias páginas criticadas ou em seus perfis. Resta saber se serão atendidos ou não.

domingo, 14 de abril de 2013

Pelo direito de ser diferente

Quem disse que uns têm o direito de se meterem na vida dos outros? Essa premissa já vem de muito tempo, desde quando os portugueses chegaram ao Brasil e acharam que tinham por direito catequizar os índios e mudar a cultura deles. Ou desde quando o homem branco achou ser melhor que o negro e o transformou em escravo. Ou, ainda, em uma infinidade de outras situações. Sem dúvidas, essa questão já existia antes de surgirem o papiro e os registros históricos. 

A mentalidade de que só um modelo é correto tem que mudar. Todos têm o direito de ser como quiserem, somos LIVRES. E, graças a Deus, a Alá, a uma força estranha ou a nada, a constituição brasileira nos garante isso. É preciso respeito seja quanto à opção sexual, religião ou time de futebol.



O direito de um começa onde termina o do outro. Temos que respeitar a religião de Feliciano, mas ele também tem que respeitar e tratar com igualdade as minorias (ou maiorias), mesmo que isso seja contra os princípios dele. As questões estão interligadas, o respeito é uma via de mão dupla. É aquela velha historinha do mundo ser um espelho, recebemos o que fazemos, colhemos o que plantamos. 

Acredito que a mentalidade de grande parte da nossa sociedade esteja mais aberta e receptiva às diferenças, mas ainda é necessário muito esforço para que algumas pessoas entendam que não são donas de verdades absolutas e que não mandam na personalidade alheia. É necessário, pelo menos, respeito ao próximo, para que não vejamos mais, nos noticiários, índios sendo queimados, homossexuais espancados e mortos de torcidas rivais em partidas de futebol.

Letycia Cardoso