terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Acessibilidade e o direito à liberdade

Segundo o artigo 5º da Constituição Brasileira, todos os indivíduos são iguais e têm direito de ir e vir. Entretanto, a teoria não se aplica à pratica de maneira eficiente. Todos os dias, diversos cidadãos com algum tipo de deficiência física enfrentam obstáculos para cumprirem atividades rotineiras.

Esse é o caso da professora Rita de Cássia Barbosa, cadeirante, que leciona na Faculdade Granbery e faz pós-graduação em Pedagogia na mesma instituição. Em seu dia-a-dia, depara-se frequentemente com problemas de acessibilidade, como o constante defeito nos elevadores dos ônibus adaptados.


Rita alega que o problema se deve à falta de manutenção e que o caso agravou-se ainda mais depois da autorização para que os passageiros descessem através da porta do meio dos veículos. O Supervisor de Transporte e Trânsito da Settra, Eduardo Coleta, explica que a vistoria no transporte público urbano acontece anualmente e eventualmente.


Entretanto, Coleta afirma que, pelo fato de o número de veículos ser grande, é inviável que todos sejam fiscalizados diariamente.


Segundo dados da Settra, em 2014, a frota de veículos adaptados em Juiz de Fora contabilizará um total de 61%, isso porque alguns ônibus antigos serão substituídos por carros ajustados, já que só podem circular durante dez anos. 

A professora também reclama das calçadas irregulares e sem rampas de acesso: “Na rua Sampaio, por exemplo, eu tenho que andar pela rua, indo de encontro aos carros. E ainda tem uma obra que tumultua tudo mais”. A Chefe do Departamento de Políticas para Pessoas com Deficiência, Thaís Altomar, afirma que o impasse é nacional porque a responsabilidade pela adequação das calçadas é do proprietário, o qual quase nunca se mostra interessado em fazê-la. Entretanto, como a acessibilidade é uma lei, cabe à prefeitura fiscalizar de forma mais rigorosa as estruturas. Thaís ainda ratifica a falta de planejamento das obras em Juiz de Fora, especialmente na Rua Santo Antônio.

Rua Santo Antônio, no Centro de Juiz de Fora (MG)
A atual proposta da prefeitura é viabilizar o centro da cidade para que ele possa servir de exemplo e, a partir de então, levar as adaptações para os bairros. No entanto, o projeto só será viável com o apoio da população e dos moradores. 


Enquanto a população que não se sente afetada fecha os olhos para a situação, milhares de cidadãos lutam diariamente por um pouco mais de independência.