Quem disse que uns têm o direito de se meterem na vida dos outros? Essa premissa já vem de muito tempo, desde quando os portugueses chegaram ao Brasil e acharam que tinham por direito catequizar os índios e mudar a cultura deles. Ou desde quando o homem branco achou ser melhor que o negro e o transformou em escravo. Ou, ainda, em uma infinidade de outras situações. Sem dúvidas, essa questão já existia antes de surgirem o papiro e os registros históricos.
A mentalidade de que só um modelo é correto tem que mudar. Todos têm o direito de ser como quiserem, somos LIVRES. E, graças a Deus, a Alá, a uma força estranha ou a nada, a constituição brasileira nos garante isso. É preciso respeito seja quanto à opção sexual, religião ou time de futebol.
O direito de um começa onde termina o do outro. Temos que respeitar a religião de Feliciano, mas ele também tem que respeitar e tratar com igualdade as minorias (ou maiorias), mesmo que isso seja contra os princípios dele. As questões estão interligadas, o respeito é uma via de mão dupla. É aquela velha historinha do mundo ser um espelho, recebemos o que fazemos, colhemos o que plantamos.
Acredito que a mentalidade de grande parte da nossa sociedade esteja mais aberta e receptiva às diferenças, mas ainda é necessário muito esforço para que algumas pessoas entendam que não são donas de verdades absolutas e que não mandam na personalidade alheia. É necessário, pelo menos, respeito ao próximo, para que não vejamos mais, nos noticiários, índios sendo queimados, homossexuais espancados e mortos de torcidas rivais em partidas de futebol.
Letycia Cardoso
